O ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente cumprindo pena de 27 anos e três meses de prisão por envolvimento em um esquema para tentar impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a eleição de 2022, foi submetido nesta quinta-feira a uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral no DF Star Hospital, em Brasília. A intervenção, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foi descrita pela equipe médica como bem-sucedida e sem complicações e durou aproximadamente três horas e meia.
O procedimento começou por volta das 9h40 (horário de Brasília) e terminou conforme o planejado, sem necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI). Bolsonaro permanece em recuperação no quarto do hospital, vigiado 24 horas por agentes da Polícia Federal (PF), que garantem transporte, segurança e escolta contínua durante todo o período de internação, conforme determinação judicial. 
Equipe médica e prognóstico
O médico Claudio Birolini, responsável pela cirurgia, afirmou em entrevista coletiva que o ex-presidente está se recuperando bem, consciente e sem intercorrências graves, e que a previsão de internação se estende até pelo menos segunda-feira (29), com possibilidade de alta hospitalar após esse período, dependendo da evolução clínica. Birolini também indicou que é possível a realização de novos procedimentos, especialmente para tratar um quadro de crises persistentes de soluço, que Bolsonaro vem enfrentando desde antes da cirurgia. 
Os médicos aguardam a melhora geral do quadro para avaliar a liberação de terapia física e fisioterapia — com foco em fortalecer a musculatura abdominal e prevenir complicações — e recomendar, se necessário, outros tratamentos específicos relacionados às crises de soluços, incluindo a possibilidade de um procedimento contra o nervo frênico. 
Contexto jurídico e escolta
A cirurgia foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, que negou o pedido anterior da defesa para que Bolsonaro cumprisse prisão domiciliar durante a recuperação, mantendo-o sob custódia da PF em hospital particular. A Justiça também proibiu a entrada de dispositivos eletrônicos no quarto hospitalar e restringiu visitas, exceto por autorização judicial expressa, medida que busca garantir a segurança e a integridade do cumprimento da pena. 
Bolsonaro deixou a prisão na superintendência da PF em Brasília — onde estava isolado em uma sala equipada com cama, banheiro e ar-condicionado — pela primeira vez desde o início de sua pena para ser internado. A medida judicial ocorreu após exames médicos confirmarem a necessidade da intervenção cirúrgica. 
Repercussão política
A cirurgia ocorre em um momento de intensa movimentação política no país, em meio à preparação para as eleições de 2026, nas quais Bolsonaro tem mantido presença nos debates públicos mesmo sob custódia. Além disso, sua família tem divulgado mensagens de apoio e continuidade política enquanto ele passa pelo tratamento. 
Histórico de saúde
Bolsonaro, que governou o Brasil de 2019 a 2022, já passou por múltiplos procedimentos cirúrgicos relacionados a complicações decorrentes de um ataque com faca em 2018, quando era candidato à presidência. Desde então, ele enfrentou longos períodos de hospitalização e tratamentos médicos sequenciais. 
A equipe médica também acompanha outras condições de saúde do ex-presidente que podem influenciar sua recuperação, como episódios crônicos de soluço que exigem avaliação contínua e o manejo de dor pós-operatória. A previsão oficial é de que a recuperação completa leve de cinco a sete dias, sem necessidade de UTI, e com progressiva retomada das atividades de fisioterapia e mobilidade assistida pelos profissionais de saúde. 
