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FÉ REVERSA - O perigo da fé

Jesus estava libertando pessoas, curando enfermos e realizando milagres diante dos olhos de todos. Mesmo assim, alguns chegaram ao ponto de atribuir aquilo aos demônios.

Por Ebenezer Saint◉ 24 visualizações
FÉ REVERSA - O perigo da fé

Existe um tipo de fé que muitas vezes alimentamos sem perceber. Eu costumo chamar isso de fé reversa.

Mas o que é fé reversa?

Fé reversa é quando acreditamos que as coisas do mal terão mais efeito em nossa vida do que a ação do bem ou as coisas de Deus.

É quando começamos a acreditar que as coisas ruins têm sempre mais probabilidade de acontecer do que as coisas boas.

E isso vai entrando de uma maneira tão profunda em nossa mente que, quando alguma coisa boa acontece na vida de alguém, muitas vezes nós até duvidamos.

“Será que é verdade?”

“Tem alguma coisa por trás disso.”

“Isso está muito bom para ser verdade.”

Esse é um dos efeitos da fé reversa.


PARTE 1 — O PERIGO DA FÉ REVERSA

Nos dias de Jesus aconteceu algo impressionante.

Jesus estava libertando pessoas, curando enfermos e realizando milagres diante dos olhos de todos. Mesmo assim, alguns chegaram ao ponto de atribuir aquilo aos demônios.

A Bíblia registra:

“Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios.”

Mateus 12:24

Veja até onde pode chegar a fé reversa.

As pessoas estavam diante de uma manifestação do bem, mas tinham mais facilidade para acreditar na atuação do mal do que reconhecer a ação de Deus.

Jesus mostrou a incoerência daquele pensamento:

“E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino?”

Mateus 12:26

É impressionante.

Para algumas pessoas é mais fácil acreditar que o diabo possui poder para realizar determinadas coisas do que acreditar que Deus pode agir.

E esse pensamento não fica apenas na vida espiritual.

A fé reversa começa a invadir todas as áreas da nossa vida.

Aos poucos, começamos a acreditar que somente os desonestos prosperam.

Que para alguém crescer precisa passar alguém para trás.

Que ninguém consegue vencer honestamente.

Que todo casamento vai dar errado.

Que toda oportunidade tem alguma coisa escondida.

Que, se alguma coisa está dando certo, logo alguma coisa ruim vai acontecer.

As referências de pessoas boas começam a desaparecer da nossa mente.

Isso muda nossa cosmovisão — a maneira como enxergamos o mundo, as pessoas, a vida e até Deus.

Passamos a esperar mais do mal do que do bem.

Existe inclusive uma expressão muito comum diante de uma situação difícil:

“Agora, só Deus.”

Mas pense nessa frase.

Muitas vezes ela é pronunciada como se chegar ao ponto em que “só Deus” pode resolver significasse que chegamos ao pior cenário possível.

Para quem realmente crê, deveria ser exatamente o contrário.

Se ainda é Deus, ainda existe esperança.

O problema é que podemos falar sobre Deus e, ao mesmo tempo, alimentar muito mais medo do problema do que confiança nele.

A fé reversa também é alimentada.

Quanto mais alimentamos pensamentos negativos, experiências negativas, histórias de fracasso e a expectativa de que alguma coisa ruim acontecerá, mais natural se torna esperar pelo pior.

Por isso precisamos alimentar a fé genuína.

A Bíblia apresenta uma imagem extraordinária:

“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.”

João 1:5

As trevas existem.

Os problemas existem.

As dificuldades existem.

O mal existe.

Fé não significa negar a realidade.

Fé significa não permitir que aquilo que estamos vendo se torne maior do que aquilo em que acreditamos.

Até os demônios reconheceram a autoridade de Jesus. Os discípulos disseram:

“Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam.”

Lucas 10:17

Então por que tantas vezes vivemos como se as trevas fossem mais poderosas do que a luz?

Essa é uma pergunta que precisamos fazer.


PARTE 2 — O CENÁRIO CATASTRÓFICO

Quando alimentamos a fé reversa, entre todos os cenários possíveis existe um que começa a predominar em nossa mente:

o cenário catastrófico.

É como se a mente perdesse a capacidade de enxergar outras possibilidades.

Quem vai fazer uma prova já se vê sendo reprovado.

Quem percebe algum sintoma ou aparentemente está enfermo rapidamente pensa no pior. Antes mesmo de saber o que está acontecendo, sua mente já construiu um cenário de doença grave e até de morte.

Quem enfrenta um problema na empresa não pensa inicialmente em uma solução. A primeira imagem que aparece é a falência.

Quem passa por uma dificuldade financeira já imagina que perderá tudo.

Quem enfrenta uma crise no relacionamento já acredita que chegou ao fim.

Perceba:

o problema ainda nem terminou, mas, dentro da mente, a tragédia já aconteceu.

Esse é um dos grandes perigos da fé reversa.

Ela ocupa todo o espaço da mente.

E, quando ocupa todo o espaço, deixamos de considerar outras possibilidades.

O pior cenário deixa de ser uma possibilidade e começa a ser tratado como se fosse uma certeza.

É necessário chegar o momento de confrontar essa fé reversa, porque ela deprecia nossa vida e enfraquece nossa própria fé.

Precisamos substituí-la pela fé genuína, que é a fé em Deus.

Jesus disse:

“Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar.”

Mateus 17:20

Observe uma coisa importante:

Jesus não disse que o monte não existiria.

O monte existe.

O problema existe.

A dificuldade existe.

A prova existe.

A enfermidade pode existir.

A crise pode existir.

Mas existe uma enorme diferença entre reconhecer a existência do monte e acreditar que o monte é maior do que Deus.

A fé genuína não ignora o cenário.

Ela não significa fechar os olhos para os problemas.

Ela apenas se recusa a transformar o pior cenário na única possibilidade.

Enquanto a fé reversa olha para o monte e diz:

“Não tem jeito.”

A fé genuína olha para o mesmo monte e pergunta:

“O que Deus pode fazer diante disso?”

É essa fé que precisamos alimentar.


PARTE 3 — A FREQUÊNCIA DA INCREDULIDADE

Se existe algo que a fé reversa estimula é a incredulidade.

Quando alimentamos constantemente a possibilidade do pior, começamos a viver em uma espécie de frequência negativa.

A frequência do medo.

A frequência da vergonha.

A frequência da insegurança.

A frequência da covardia.

E, aos poucos, todo o nosso cenário passa a ser interpretado por essa perspectiva.

Quando falo em “frequência”, estou falando daquilo em que colocamos constantemente nossa mente, nossa atenção e nossa expectativa.

Aquilo que alimentamos começa a influenciar a maneira como enxergamos as situações e, consequentemente, a maneira como reagimos a elas.

Uma pessoa dominada pela fé reversa começa a esperar sempre pelo pior.

Quando aparece uma oportunidade, ela vê o perigo.

Quando aparece uma porta, imagina que ela vai se fechar.

Quando alguém acredita nela, ela desconfia.

Quando alguma coisa começa a dar certo, imediatamente pensa:

“Alguma coisa ruim vai acontecer.”

E assim a incredulidade vai ganhando espaço.

A fé reversa começa no pensamento, mas pode terminar influenciando nossas decisões.

Quem acredita constantemente que vai fracassar muitas vezes nem tenta.

Quem acredita que será rejeitado pode deixar de bater à porta.

Quem acredita que não é capaz pode abandonar antes mesmo de começar.

É justamente aqui que encontramos uma das mais conhecidas definições bíblicas sobre a fé:

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem.”

Hebreus 11:1

Existe algo muito forte nessa expressão:

“Das coisas que se esperam.”

Então precisamos fazer uma pergunta:

O QUE VOCÊ ESTÁ ESPERANDO?

Você está esperando sempre uma tragédia?

Está esperando a porta se fechar?

Está esperando a doença piorar?

Está esperando seu projeto fracassar?

Está esperando perder aquilo que conquistou?

Ou está colocando sua esperança naquilo que Deus pode fazer?

A fé genuína não significa imaginar que nunca teremos problemas. A própria Bíblia está cheia de homens e mulheres de fé que enfrentaram enormes dificuldades.

A diferença está em onde colocamos nossa expectativa apesar das dificuldades.

A fé reversa olha para aquilo que ainda não aconteceu e espera o pior.

A fé genuína olha para aquilo que ainda não aconteceu e continua confiando em Deus.

Por isso precisamos observar diariamente qual dessas duas estamos alimentando dentro de nós.

Porque a incredulidade também pode ser alimentada.

O medo também pode ser alimentado.

A expectativa da derrota também pode ser alimentada.

Mas a fé também pode ser alimentada.

Jesus falou sobre uma fé do tamanho de um grão de mostarda. Não porque o problema fosse pequeno, mas porque a questão principal nunca foi o tamanho do monte.

A questão é em quem depositamos nossa fé.

Por isso, quando a fé reversa disser que as trevas vencerão, lembre-se:

“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.”

João 1:5

Quando a fé reversa mostrar apenas o tamanho do monte, lembre-se:

“Se tiverdes fé como um grão de mostarda...”

Mateus 17:20

E quando a fé reversa tentar fazer você acreditar apenas naquilo que seus olhos estão vendo, lembre-se:

“A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem.”

Hebreus 11:1

No final, a grande pergunta não é simplesmente se temos fé.

A grande pergunta é:

Que tipo de fé estamos alimentando?

Não permita que as experiências ruins da vida construam dentro de você uma fé no pior.

O problema pode ser grande.

O cenário pode ser difícil.

O monte pode estar diante de você.

Mas o monte não é Deus.

Alimente a fé genuína.

Alimente a confiança.

Alimente aquilo que Deus diz.

Porque a fé reversa espera o pior antes mesmo que ele aconteça.

A fé genuína continua confiando em Deus, mesmo quando ainda não consegue ver.

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