O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu uma nova frente de debate religioso ao comentar sobre as estruturas internas da Igreja Católica durante uma agenda oficial no Palácio do Planalto. Em reunião com cerca de 20 pastores e lideranças evangélicas brasileiras, norte-americanas e cubanas, o chefe do Executivo afirmou que a instituição católica continuará perdendo espaço se mantiver restrições tradicionais à atuação de mulheres e o celibato clerical.
Durante o seu discurso, Lula compartilhou um conselho que deu pessoalmente ao Papa Francisco antes do falecimento do pontífice. “Eu já tive a oportunidade de falar para o papa Francisco: enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato e permitir que as mulheres possam ser padres, possam ser bispos, as mulheres poderem falar, sabe? A gente vai ver a Igreja Católica passar dificuldades”, declarou o presidente.
Crescimento evangélico e o papel das mulheres
Ao justificar sua análise, Lula traçou um paralelo com o dinamismo das denominações protestantes no Brasil. O mandatário pontuou que a igualdade de condições dada às mulheres dentro das igrejas evangélicas é um dos principais fatores para a expansão contínua do segmento nas últimas décadas, tendência amplamente respaldada pelos dados demográficos nacionais.
Para o petista, a flexibilidade e a inclusão feminina dão uma vantagem competitiva nítida às lideranças protestantes perante o clero católico tradicional, que restringe a ordenação sacerdotal exclusivamente aos homens.
Promessa de neutralidade eleitoral nos templos
As declarações de Lula ocorrem em meio a um cenário de forte apelo religioso na campanha para as eleições presidenciais de 2026, na qual o petista busca a reeleição em uma disputa acirrada contra o senador Flávio Bolsonaro. Diante do peso eleitoral dos fiéis, o presidente adotou um tom de distanciamento das estruturas físicas das igrejas para fins de propaganda política.
Lula garantiu aos pastores que se recusará a realizar comícios ou atos partidários dentro de qualquer espaço de culto, independentemente da vertente religiosa. “Não me convide para ir numa assembleia fazer um comício que eu não vou. Não vou nem na católica e nem na evangélica, porque eu respeito a fé das pessoas. Se eu quiser fazer política, eu faço na rua”, ponderou.
Apesar de rejeitar o uso político dos templos, o presidente sinalizou que pretende contar com o apoio social das organizações religiosas no próximo ano para a formulação e execução de políticas públicas voltadas ao cuidado e ao combate ao isolamento da população idosa.