
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou do plenário virtual dois processos de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A movimentação, confirmada nos bastidores da Corte nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, ocorre semanas após o magistrado sofrer um revés incomum no plenário. Por 6 votos a 4, a maioria dos ministros contrariou o relator e permitiu o abatimento das penas com base no tempo de medidas cautelares cumpridas pelos réus.
Os processos removidos de pauta envolvem Rosa Maria Pinto Vanderley e Carlos Daniel Aragão de Araújo. Ambos integravam o grupo de manifestantes de menor gravidade ("vandalismo de baixa intensidade") que permaneceu acampado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília.
O estopim da reviravolta: O caso Simone Macedo
O recuo estratégico de Alexandre de Moraes foi desencadeado pelo julgamento de Simone Macedo, concluído em 6 de agosto de 2026. Condenada a um ano de reclusão em regime aberto por associação criminosa, a defesa de Simone solicitou a aplicação do instituto da detração penal. O objetivo era descontar da pena final o tempo em que ela permaneceu sob restrições como o recolhimento domiciliar noturno e o monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Monocraticamente, o ministro Moraes rejeitou a solicitação do abatimento das medidas cautelares, alegando falta de previsão legal explícita. Contudo, uma vertente divergente aberta pelo ministro Cristiano Zanin ganhou tração e consolidou maioria no Tribunal. Zanin argumentou que as restrições noturnas equiparam-se ao regime aberto e que não considerá-las equivaleria a imputar uma "dupla punição" pelo mesmo fato.
Manobra jurídica divide analistas e inflama oposição
Os julgamentos de Rosa Maria e Carlos Daniel estavam previstos para ocorrer de forma online na plataforma do plenário virtual. No entanto, ao notar a consolidação do novo precedente jurisprudencial favorável aos réus, Moraes optou por reter os casos.
Juristas apontam que a retirada levanta duas possibilidades de ação do relator:
- Aplicação direta: O ministro pode adequar as decisões de forma monocrática com base na nova jurisprudência firmada pela maioria, poupando a Corte de novos desgastes votados.
- Articulação de bastidores: Moraes pode estar retendo as pautas temporariamente para tentar demover colegas de posicionamento ou formatar uma modulação de efeitos que restrinja o alcance do benefício.
Nas redes sociais, perfis de correntes conservadoras e críticas à condução dos inquéritos do 8/1 reagiram imediatamente. O usuário influenciador @edivaldocmachad compartilhou o trecho das análises jornalísticas alegando que a retirada dos processos demonstra "pânico" por parte do ministro diante do enfraquecimento de sua hegemonia jurídica no STF. O episódio adiciona combustível ao debate sobre os limites das penalidades aplicadas aos envolvidos nos atos antidemocráticos.








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