A Polícia Federal investiga Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suposta participação em um esquema de tráfico de influência voltado à facilitação de contratos governamentais. O inquérito, que tramita sob autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) e tem como relator o ministro André Mendonça, apura tentativas frustradas de vender medicamentos e insumos médicos ao Ministério da Saúde.
De acordo com os relatórios preliminares da corporação, o grupo liderado por lobistas buscava utilizar a proximidade com o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para abrir canais diretos de diálogo com o alto escalão do governo federal durante o atual mandato.
Propostas de R$ 626 milhões na mira da PF
As investigações apontam que Lulinha atuava em “comunhão de interesses econômicos” com a empresária e lobista Roberta Luchsinger. Mensagens interceptadas revelam que Roberta pretendia cobrar uma comissão de 20% sobre os negócios fechados, da qual o filho do presidente seria um dos beneficiários indiretos.
O foco das apurações recai sobre três tentativas de negociações sem licitação que foram apresentadas à pasta da Saúde:
- A principal delas envolvia uma minuta de contrato de R$ 626 milhões para a compra centralizada de medicamentos à base de canabidiol (cannabis medicinal).
- Uma proposta para o fornecimento de testes rápidos voltados ao diagnóstico de dengue.
- Um projeto de parceria produtiva no mercado público de saúde por meio da estatal Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego).
A ligação com o “Careca do INSS” e demissão no Planalto
O caso ganhou tração após a análise de dados telefônicos de Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”. Ele foi preso preventivamente sob a acusação de liderar fraudes contra a Previdência Social. A PF identificou que Camilo Antunes financiava despesas de luxo, cartões de crédito e viagens internacionais de Lulinha à Europa sob o pretexto de buscar parcerias comerciais para a empresa World Cannabis.
O desdobramento político da investigação resultou na recente demissão de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que ocupava o cargo de chefe do Gabinete Pessoal do presidente Lula. Marcola foi exonerado após as quebras de sigilo mostrarem que ele recebeu as minutas de interesse do grupo diretamente de Roberta Luchsinger, além de ter registrado um repasse financeiro de R$ 249 mil em suas contas — valor que sua defesa justifica como um empréstimo pessoal já quitado.
Posicionamento oficial dos envolvidos
O Ministério da Saúde informou em nota que nenhuma das três propostas comerciais avançou na pasta. Segundo o órgão, todas as ofertas foram formalmente rejeitadas pelas equipes técnicas devido ao não cumprimento dos requisitos legais.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega categoricamente qualquer envolvimento em práticas ilícitas. Os advogados criticaram duramente o vazamento de relatórios parciais do inquérito sigiloso, alegando que o caso vem sendo utilizado para exploração política e desgaste da imagem da família presidencial. As defesas de Roberta Luchsinger e de Antônio Carlos Camilo Antunes afirmaram que os esclarecimentos necessários serão prestados diretamente à Justiça assim que houver acesso integral aos autos do processo.