Brasil perde patente internacional da polilaminina após cortes na UFRJ

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Patente internacional da polilaminina foi perdida após cortes de recursos na UFRJ

A bióloga Tatiana Sampaio afirmou que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina devido à falta de recursos para manter o registro fora do país. Segundo ela, os cortes orçamentários federais ocorridos em 2015 e 2016 impediram o pagamento das taxas necessárias para garantir a proteção global da tecnologia desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Recursos da UFRJ foram cortados em 2015 e 2016, e aí não tinha dinheiro para pagar a patente internacional”, declarou a pesquisadora ao comentar o tema nas redes sociais.

O que é a polilaminina

Descoberta de forma acidental há cerca de 28 anos por pesquisadores da UFRJ, a polilaminina é uma proteína derivada da placenta com potencial para regenerar nervos da medula espinhal. Estudos em modelos animais indicaram recuperação significativa de movimentos, e testes clínicos em humanos avançaram nos últimos anos.

No fim de 2025, a ANVISA autorizou a realização de estudos clínicos ampliados, etapa considerada fundamental para futura disponibilização do tratamento.

Além disso, parcerias com a farmacêutica Cristália buscam viabilizar a produção em escala e a comercialização da tecnologia.

Perda da patente internacional

Apesar da aprovação da patente em território nacional, a falta de pagamento das taxas internacionais resultou na perda da proteção fora do Brasil. Especialistas apontam que isso pode abrir espaço para que empresas estrangeiras explorem a inovação sem necessidade de licenciamento internacional, reduzindo o potencial retorno econômico ao país.

Debate político e crise no financiamento científico

A declaração reacendeu discussões sobre o financiamento da ciência no Brasil. Parte das reações nas redes sociais atribui os cortes ao governo da ex-presidente Dilma Rousseff, do PT, em meio à crise fiscal daquele período.

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Dados da CAPES indicam que o investimento público em pesquisa sofreu redução superior a 90% entre 2010 e 2020, cenário frequentemente citado por pesquisadores como um dos principais fatores de evasão de cérebros e descontinuidade de projetos estratégicos.

Para cientistas, o caso da polilaminina simboliza os impactos de longo prazo da instabilidade orçamentária na produção científica nacional. Enquanto os estudos avançam no país, a ausência de proteção internacional pode limitar o protagonismo brasileiro em uma tecnologia considerada promissora para o tratamento de lesões medulares.

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