Em uma votação histórica realizada na Assembleia Geral das Nações Unidas, a ONU aprovou formalmente uma resolução para adotar um novo mapa múndi baseado na projeção Equal Earth (Terra Igual), criada em 2018. A medida, batizada de campanha “Correct the Map” (Corrija o Mapa), foi liderada pelo Togo e apoiada em bloco pelos países da União Africana. Ela visa acabar com uma distorção cartográfica que já dura mais de 450 anos e que encolhia visualmente o continente africano nas salas de aula e na mídia global.
O texto recebeu o apoio de 164 nações (incluindo potências europeias como Reino Unido e França). Os Estados Unidos foram o único país a votar contra, classificando a resolução como “supérflua”, enquanto seis nações se abstiveram (Sérvia, Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia e Ucrânia). Embora a resolução da ONU não seja vinculativa ou de cumprimento obrigatório por lei, ela serve como uma diretriz de peso para que governos, corporações de tecnologia e editoras de livros didáticos atualizem suas plataformas.
Desde o século XVI, o mundo utiliza predominantemente a Projeção de Mercator, criada em 1569 pelo geógrafo flamengo Gerardus Mercator. Esse modelo foi desenhado para facilitar a navegação marítima em linhas retas, mas possui uma grave falha geométrica: ele distorce as massas de terra próximas aos polos norte e sul. Como resultado, mapas convencionais exibem a Groenlândia e a África com tamanhos semelhantes, quando na realidade a África é 14 vezes maior que a Groenlândia, superando em área os territórios somados da China, dos EUA, da Índia e de quase toda a Europa.
Ativistas da campanha Africa No Filter celebraram a decisão, afirmando que a retificação visual ajuda a combater o viés colonial e dá ao hemisfério sul a devida relevância geográfica. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, reforçou que “corrigir uma representação que distorce o mundo já é um ato de verdade”. Com a chancela da ONU, a projeção Equal Earth deve passar a integrar as diretrizes curriculares globais nos próximos anos.
CBN News