Na noite da última sexta‑feira, um tornado de ventos superiores a 250 km/h atingiu a região centro‑sul do Rio Bonito do Iguaçu (PR) e municípios vizinhos, provocando ao menos seis mortes, centenas de feridos, centenas de casas destruídas e um cenário descrito como “zona de guerra” por autoridades.
Na tarde‑noite de 7 de novembro, uma supercélula atmosférica evoluiu rapidamente em tornado que tocou solo no município de Rio Bonito do Iguaçu, cerca de 400 km de Curitiba, e também afetou municípios como Guarapuava, Quedas do Iguaçu, Guaraniaçu e Três Barras do Paraná. 
Segundo o sistema meteorológico estadual Simepar, os ventos chegaram à faixa de 180 a 250 km/h, e os danos observados levam à classificação preliminar de nível EF‑3 na escala Fujita melhorada.  Em Rio Bonito do Iguaçu, autoridades estimam que até 80% ou mais das construções foram afetadas, com casas destelhadas, veículos arremessados, postes e árvores derrubados. 
Pelo menos seis pessoas morreram — entre elas uma adolescente de 14 anos — e centenas ficaram feridas (os números variam entre 430 e mais de 750).  Mais de mil residências ficaram danificadas ou destruídas, com milhares de moradores desalojados e desabrigados. 
O governador do estado, Carlos Massa Ratinho Júnior, decretou três dias de luto oficial. Equipes da Defesa Civil do Paraná, do Corpo de Bombeiros do Paraná e das Forças Armadas foram mobilizadas para busca e resgate, instalação de pontos de apoio e auxílio emergencial às famílias. 
Especialistas em meteorologia explicam que o fenômeno resulta da combinação de grande instabilidade atmosférica — ar quente e úmido — com uma frente fria e forte cisalhamento de vento, formando uma supercélula. Apesar de pouco comuns em porte tão elevado no Sul do Brasil, os tornados estão entre os riscos naturais mais destrutivos. 
• O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou condolências e determinou envio imediato de ajuda federal (mantimentos, abrigo, remédios e reconstrução).
• A destruição severa elevou alertas meteorológicos no Sul do país: estados vizinhos como Santa Catarina e Rio Grande do Sul também emitiram comunicados de tempestades e ventos fortes.
• Já se estuda um plano emergencial de reconstrução para Rio Bonito do Iguaçu e municípios atingidos, com prioridade para restabelecimento de energia, água, abrigo temporário e retirada de escombros.
• O desastre abre questões sobre preparação e monitoramento climático na região: como melhorar alertas, abrigos rápidos e infraestrutura resiliente.
A calamidade que atingiu o interior do Paraná é um forte alerta para o Brasil de que fenômenos extremos — antes considerados raros — estão se tornando mais presentes e agressivos. Enquanto as equipes de socorro avançam entre os escombros, as famílias atingidas enfrentam dias de incerteza e reconstrução. Para muitos, a pergunta permanece: “o que resta de nós?” — como relatou uma moradora da cidade atingida. A resposta, por ora, envolve solidariedade, assistência emergencial e o começo de uma longa jornada de recuperação.