O presidente Donald Trump lançou formalmente nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, o Board of Peace (Conselho da Paz), um novo organismo internacional apresentado como um mecanismo para consolidar o cessar-fogo em Gaza, supervisionar a desmilitarização e coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza após mais de dois anos de guerra.
A cerimônia de assinatura da carta-fundadora ocorreu no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, com representantes de cerca de 19 países — bem abaixo dos 35 originalmente esperados pela Casa Branca.
Trump, que se declarou presidente vitalício e presidente do conselho, afirmou que a instituição pode ser “uma das mais importantes já criadas” e sugeriu que, com tempo, pode até complementar ou rivalizar com funções atualmente desempenhadas pela ONU.
Objetivos e plano para Gaza
O Board of Peace foi inicialmente projetado para apoiar a manutenção do cessar-fogo entre Israel e Hamas e a reconstrução da infraestrutura de Gaza, incluindo assistência econômica, segurança e governança técnica.
No evento, o conselheiro Jared Kushner — genro de Trump — apresentou um ambicioso “plano mestre” para uma “Nova Gaza”, imaginando centros urbanos modernos, infraestrutura turística e industrial que, segundo ele, projetariam um Produto Interno Bruto (PIB) de bilhões de dólares até 2035.
Ali Sha’ath, designado para liderar um comitê técnico palestino, saudou a reabertura do posto de controle de Rafah com o Egito como um marco para o retorno de civis a Gaza, indicando que o próximo passo para a prosperidade pode estar em curso.
Críticas e divisões entre aliados
Apesar do tom triunfal promovido por Trump, a iniciativa enfrenta resistência significativa. Alguns países tradicionais aliados dos EUA, incluindo nações europeias importantes, optaram por não participar da cerimônia ou hesitaram em integrar o conselho, citando preocupações sobre a abrangência do seu mandato e possíveis impactos nas estruturas internacionais existentes, como a ONU.
Analistas e críticos destacam que a carta do conselho — que não menciona explicitamente Gaza — sugere um escopo muito mais amplo, o que levou observadores a questionar se esse conselho não estaria sendo projetado para competir ou até suplantar o papel tradicional da ONU na resolução de conflitos e reconstrução pós-guerra.
Debate sobre legitimidade e eficácia
Organizações de direitos humanos e especialistas em política internacional também levantaram dúvidas sobre a ausência de representantes palestinos na direção do conselho e sobre a viabilidade prática dos planos apresentados, especialmente à luz das condições humanitárias extremas que ainda persistem em Gaza e da falta de compromissos financeiros detalhados por parte de terceiros países.
Críticos afirmam que iniciativas como o Board of Peace podem reproduzir uma gestão externa sobre o território, dificultar a autodeterminação palestina e priorizar interesses geopolíticos de potências estrangeiras em vez das necessidades imediatas da população local.
Reações mistas no cenário global
Líderes de países que aderiram à iniciativa destacaram a importância de mecanismos inovadores para garantir a paz e a reconstrução em regiões devastadas por conflitos. Ainda assim, a ausência de grandes potências europeias e a hesitação de múltiplos governos no Ocidente deixam claro que o projeto, apesar de ambicioso, enfrenta desafios de legitimidade e apoio diplomático amplos.
