O presidente dos EUA Donald Trump declarou apoio aberto ao programa de vistos H‑1B visa program — usado para permitir a entrada de trabalhadores estrangeiros altamente qualificados nos EUA — afirmando que “temos que trazer talento” porque “não temos certas habilidades” internamente. A declaração provocou forte reação entre seus seguidores mais fiéis da ala populista-nacionalista do movimento MAGA, que veem a medida como contraditória ao lema “America First”.
- O que Trump disse
• Em entrevista à âncora Laura Ingraham, Trump respondeu que os EUA “precisam trazer talentos” estrangeiros porque, em sua visão, “não temos certas habilidades” disponíveis no país.
• Acrescentou: “You don’t have, you don’t have certain talents and people have to learn” quando questionado se o país já não tinha pessoas qualificadas.
• Em dezembro de 2024, Trump afirmou ao New York Post: “I’ve always liked the visas, I have always been in favour of the visas. … I have many H-1B visas on my properties. I’ve been a believer in H-1B. I have used it many times. It’s a great program.”
Por que a reação negativa da ala direita
• A ala MAGA, que sustenta fortemente políticas imigratórias restritivas e priorização de trabalhadores americanos, interpretou os comentários como uma ruptura com a promessa de “trabalhador americano primeiro”.
• Algumas vozes destacadas:
• Marjorie Taylor Greene (Rep. R-GA) afirmou que seus comentários eram um erro para o partido e declarou “America First e America Only” em oposição ao programa H-1B.
• Influenciadores e comentaristas conservadores disseram que o comentário poderia custar apoio ao partido nos eleitorados de 2026.
• O movimento tecnológico, por outro lado, vê no programa H-1B uma necessidade de competitividade global, colocando-se em contradição com a base tradicional.
O que está em jogo
• O programa H-1B há muito é um ponto de discórdia: permite que empresas americanas contratem estrangeiros com qualificações especiais em áreas como tecnologia, engenharia e ciências.
• Para Trump, apoiar o programa pode sinalizar abertura à imigração “qualificada” e uma orientação mais pragmática para a economia e tecnologia.
• Para a base MAGA, isso parece contradizer o foco em emprego doméstico, salário americano e restrição à entrada de trabalhadores estrangeiros.
• A divisão expõe um dilema estratégico para o Partido Republicano: conciliar apoios empresariais/tecnológicos com o apelo populista-nacionalista.
Possíveis impactos
• Interno no partido: Crescimento da tensão entre diferentes alas republicanas — a ala “business/tech” que vê os trabalhadores estrangeiros como essenciais, versus a ala populista que prioriza o trabalhador americano.
• Eleitoral: Pode haver desgaste em regiões de trabalhadores industriais e setores que sentiram promessa de proteção econômica pessoal.
• Política de imigração: Trump poderá avançar em formas de reforma que mantenham o programa H-1B, mas com condições ou taxas mais altas, o que já foi esboçado.
• Imagem pública: O apoio a H-1B pode ser usado como argumento pela oposição de que Trump se afastou de certas promessas “America First”.
A declaração de Donald Trump a favor dos vistos H-1B vindo de uma liderança tradicionalmente anti-imigração abriu uma fratura visível dentro do campo conservador americano. A base MAGA expressou clara insatisfação, questionando se o “America First” ainda está em vigor ou se está sendo reinterpretado para um foco mais globalizado de “talento internacional”. A forma como esse debate se desdobrar pode influenciar não apenas políticas de imigração, mas também a solidez do apoio interno ao ex-presidente nos próximos ciclos eleitorais.
Donald Trump anunciou em 19 de setembro de 2025 uma proclamação que impõe uma taxa de US$ 100 000 para cada pedido de visto H‑1B visa por parte de empresas, como parte de uma reforma da imigração para trabalhadores altamente qualificados. 
• Na mesma proclamação, ele lançou ou propôs um programa de “gold card” de residência permanente para estrangeiros que pagarem US$ 1 milhão para residir nos EUA.
