BRASÍLIA — Uma nova gravação obtida e divulgada pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, colocou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, no centro de novos questionamentos. O vídeo registra o momento em que o casal desembarca de um jato executivo Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O episódio ocorreu no dia 22 de agosto de 2025.
A divulgação das imagens provocou forte repercussão por esbarrar diretamente em uma manifestação anterior feita pelo gabinete do ministro. Em nota oficial emitida em abril de 2025, o gabinete havia rechaçado com veemência relatórios preliminares, afirmando que as suspeitas eram falsas e garantindo que o magistrado “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia”.
O jatinho filmado pertence oficialmente a uma empresa vinculada ao ex-banqueiro e fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ao todo, relatórios policiais apontam suspeitas de pelo menos oito voos efetuados pelo casal na mesma frota entre os meses de maio e outubro de 2025.
Na Mira da Polícia Federal: O Contrato de R$ 50 Milhões
O registro visual coincide cronologicamente com as frentes de apuração da Polícia Federal (PF), cujos sigilos de documentos foram recentemente levantados pelo ministro André Mendonça. De acordo com os investigadores, mensagens interceptadas no celular de Daniel Vorcaro indicam negociações em torno de um segundo contrato de honorários advocatícios no valor de R$ 50 milhões entre a empresa Viking Participações (de Vorcaro) e o escritório de advocacia de Viviane Barci.
A PF aponta que a estrutura de pagamento desse acordo comercial — firmado em maio de 2025 — previa uma modalidade de dação em pagamento, na qual cotas de utilização de aeronaves (incluindo o jato Legacy 650 e um helicóptero) seriam transferidas ao escritório como quitação de R$ 40 milhões dos honorários. Trocas de mensagens obtidas pela polícia mostram Vorcaro orientando os gestores da frota a priorizarem o atendimento e a logística de voos para a família do ministro.
O Outro Lado
Diante da repercussão do vídeo, o escritório de advocacia Barci de Moraes veio a público esclarecer que realiza rotineiramente a contratação de serviços legítimos de táxi aéreo com diversas companhias operadoras do setor, figurando a Prime Aviation (empresa associada a Vorcaro) entre elas. A defesa enfatizou que a escolha específica dos prefixos das aeronaves atendia puramente a critérios operacionais internos da empresa de aviação, sem qualquer ingerência de seus clientes.
O escritório e o gabinete do ministro reiteraram enfaticamente que não houve qualquer viagem na companhia física do ex-banqueiro e negaram a concretização prática ou aquisição definitiva de cotas de bens aéreos vinculados ao empresário investigado.