SEUL — Em um claro sinal de desafio diplomático, a Coreia do Norte realizou o disparo de dois mísseis balísticos de curto alcance em direção ao Mar do Leste (Mar do Japão). A ação militar de Pyongyang ocorreu poucos dias após o regime de Kim Jong Un reafirmar o seu status “irreversível” como Estado com armas nucleares e rejeitar publicamente uma resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU que exigia a suspensão imediata de suas atividades atômicas.
De acordo com informações divulgadas pelo Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul (JCS), os dois projéteis foram lançados a partir da região costeira de Wonsan. O primeiro míssil percorreu cerca de 450 quilômetros, enquanto o segundo, disparado cerca de três horas mais tarde, viajou por mais de 600 quilômetros antes de cair na água. Especialistas militares de Seul e de Washington realizam uma análise detalhada para identificar as especificações exatas das armas utilizadas.
Desprezo às Resoluções Internacionais
A demonstração de força ocorre em um momento de alta fricção geopolítica. Na última semana, o Ministério das Relações Exteriores norte-coreano ridicularizou a resolução da AIEA, classificando-a como “insignificante” e fruto de uma “cozinha política dos Estados Unidos e do Ocidente”. O regime reiterou que seu poderio atômico está permanentemente fixado na lei máxima do país e não necessita de validação externa.
Kim Yo Jong, a influente irmã do líder norte-coreano, declarou publicamente que o status nuclear do país é “absoluto” e chamou de “idiotas” aqueles que ainda esperam pela desnuclearização da península.
O Tabuleiro Político com Washington
Os lançamentos de mísseis servem como um instrumento de barganha e pressão direcionado diretamente ao presidente dos EUA, Donald Trump. Recentemente, o governo americano havia reduzido a escala de exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul na tentativa de reabrir canais de diálogo com Pyongyang.
Contudo, analistas apontam que Kim Jong Un sente que possui maior vantagem estratégica no momento, impulsionado pelo avanço do seu arsenal técnico e pelo aprofundamento de suas alianças estratégicas e militares com a Rússia e a China.
Em resposta aos testes, o gabinete presidencial da Coreia do Sul convocou uma reunião de emergência e instou o Norte a cessar imediatamente os disparos, classificando-os como uma grave violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU. O Comando do Pacífico dos EUA afirmou monitorar a situação de perto ao lado de aliados regionais, garantindo que o evento não representa uma ameaça imediata ao território norte-americano ou de seus parceiros.
CBS News