O antropólogo e escritor Antônio Risério voltou a ganhar destaque ao criticar duramente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa forma, ele questiona a confiabilidade dos números oficiais sobre composição racial da população brasileira.De acordo com Risério, a instituição tem sido acusada de promover uma distorção sistemática ao agrupar as categorias de “pardos” e “pretos” em um único contingente denominado “negros”.
Além disso, essa prática teria sido incentivada a partir do governo Fernando Henrique Cardoso e consolidada por pressão de movimentos sociais.“Hoje há uma fraude enorme sobre os números do Brasil.
Não dá para confiar em nenhum número desde que o IBGE decidiu juntar pardos e negros como um mesmo contingente da população”, afirmou o intelectual. Por isso, segundo ele, o país lida constantemente com uma “farsa numérica” que não reflete a realidade mestiça brasileira.No entanto, a crítica vai além da simples metodologia.
Risério argumenta que essa unificação impõe um modelo polarizado branco-negro, inspirado em sociologia marxista e em padrões importados, que não corresponde à complexa formação étnica do Brasil.
Além do mais, regiões como o Pará seriam exemplos claros de distorção, onde a população parda predomina, mas os números oficiais inflariam artificialmente o contingente negro.Dessa forma, as políticas públicas baseadas nesses dados, incluindo cotas raciais e ações afirmativas, acabariam sendo construídas sobre fundamentos questionáveis.
O antropólogo, que já trabalhou em campanhas de Lula no passado, tem se posicionado de forma cada vez mais crítica ao identitarismo e ao que chama de autoritarismo do movimento negro.Por outro lado, defensores do IBGE sustentam que a agregação das categorias “preto” e “pardo” facilita o combate às desigualdades históricas. Contudo, Risério rebate afirmando que a mestiçagem representa a essência do povo brasileiro e que a imposição de categorias binárias só aprofunda divisões artificiais.Além disso, o debate reacende discussões antigas sobre a identidade nacional.
Enquanto alguns veem na fala de Risério uma defesa da democracia racial, outros o acusam de minimizar o racismo estrutural. Assim, o tema continua polarizado nas redes sociais e na esfera pública.A polêmica ressalta a importância de dados transparentes e confiáveis para a construção de políticas públicas no Brasil.
Portanto, especialistas defendem que o IBGE revise seus critérios de classificação racial para melhor refletir a diversidade real da sociedade brasileira.
Conclusão
As declarações de Antônio Risério reacendem o debate sobre a neutralidade das instituições estatísticas e o impacto das narrativas ideológicas nos números oficiais. Dessa forma, o país segue discutindo qual modelo demográfico melhor representa sua complexa identidade mestiça.
