Carlos Viana denuncia “portas fechadas” no Senado por ordem de Davi Alcolumbre

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BRASÍLIA — O clima de polarização e pré-campanha eleitoral atingiu o ápice no Congresso Nacional nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) aumentou radicalmente o tom de suas críticas contra o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), ao publicar um vídeo gravado diretamente em frente às portas trancadas do plenário da Casa.

Na gravação, Viana afirma categoricamente que os parlamentares estão sendo impedidos de entrar no recinto para discursar por conta de uma determinação direta da liderança. “Os servidores aqui não podem fazer nada, porque é ordem manter o plenário fechado para que ninguém entre”, disparou o senador mineiro.

A raiz do conflito: Caso Banco Master e Moraes

O protesto do senador ocorre no momento em que a oposição acusa o comando do Senado de omissão e blindagem diante de uma severa crise institucional. O centro das atenções políticas em Brasília recai sobre as recentes investigações da Polícia Federal envolvendo supostas mensagens telefônicas trocadas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do liquidado Banco Master.

A ala oposicionista no Parlamento vem tentando forçar o andamento de novos pedidos de impeachment e a abertura de investigações legislativas contra o magistrado do STF. No entanto, os requerimentos continuam travados na Mesa Diretora. Enquanto o Supremo Tribunal Federal conduz sessões plenárias para julgar e analisar os desdobramentos dos relatórios da PF sobre o caso, críticos apontam que o Senado abdicou de seu papel constitucional de julgar crimes de responsabilidade de ministros.

Calendário eleitoral versus obstrução de debate

Oficialmente, a diminuição do ritmo de trabalho em Brasília e a ausência de sessões deliberativas são justificadas pelo chamado “calendário de recesso branco”, adotado tradicionalmente pelo Congresso no período que antecede as eleições municipais e gerais de outubro, concentrando as votações em datas específicas de esforço concentrado.

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Contudo, para Carlos Viana e outros parlamentares de oposição, a manutenção do plenário fisicamente trancado configura uma manobra deliberada para conter discursos inflamados e enterrar debates incômodos às vésperas do pleito. Diante do impasse, Viana já havia formalizado uma representação no Conselho de Ética e um pedido de afastamento provisório de Davi Alcolumbre da presidência da Casa, acusando o líder amapaense de prevaricação e “anestesia” do Poder Legislativo.

Alcolumbre, por sua vez, rebateu as acusações em declarações recentes, classificando o avanço dos pedidos de impeachment e o tom elevado dos oposicionistas como uma postura meramente “agressiva e eleitoral”.

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