Um relatório de 30 páginas elaborado por democratas do United States Senate Committee on Foreign Relations aponta que deportações de imigrantes para terceiros países promovidas pela administração do presidente Donald Trump custaram mais de US$40 milhões aos contribuintes americanos até janeiro de 2026, em uma prática que, segundo os autores do estudo, oferece pouco retorno e pouca transparência.
O documento é resultado de uma revisão de dez meses sobre acordos firmados com nações que concordaram em receber migrantes sem vínculo direto com seus territórios de origem. Segundo o relatório, mais de US$32 milhões foram repassados em pagamentos diretos a governos da Guiné Equatorial, Ruanda, El Salvador, Eswatini e Palau — em alguns casos antes mesmo da chegada de qualquer deportado.
Os dados mostram que aproximadamente 300 migrantes foram enviados a esses países até o início de 2026, dos quais cerca de 250 eram venezuelanos que foram encaminhados a El Salvador, país que recebeu o maior número de deportados, com um custo médio estimado de US$20.755 por pessoa. Em outros casos, como no de Ruanda, o relatório aponta que o governo americano pagou US$7,5 milhões para que o país aceitasse apenas sete pessoas — o que representa cerca de US$1,1 milhão por deportado.
O documento também destaca que, em algumas situações, recursos foram gastos com transporte aéreo, incluindo o uso de aeronaves militares que podem custar mais de US$32 mil por hora de voo, e que os EUA poderiam ter chegado a pagar duas vezes pelo deslocamento de um mesmo migrante — primeiro para um terceiro país e depois para o seu país de origem.
Democratas criticam a falta de supervisão sobre como os deportados são tratados nos países receptores, muitos dos quais têm histórico de violações de direitos humanos e corrupção, além de afirmar que “acordos secretos” estavam sendo negociados com dezenas de outras nações para expandir a prática. A senadora Jeanne Shaheen, principal democrata no comitê, classificou a política como o “epítome de fraude, desperdício e abuso”, questionando os altos custos e a eficácia da estratégia.
Em resposta, porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o relatório evidencia o “trabalho sem precedentes” da administração para aplicar as leis de imigração e reforçar a segurança nas fronteiras, sem comentar diretamente os valores especificados pelos democratas.
