O comitê do Senado dos Estados Unidos liderado pelo senador republicano Rand Paul trouxe a público mais de mil páginas de anotações pessoais mantidas pelo Dr. Anthony Fauci durante o gerenciamento da pandemia de COVID-19. Dentre os trechos que mais despertaram reações imediatas da oposição, destaca-se um registro confidencial escrito em 19 de junho de 2021, no qual o médico detalha um susto de saúde mantido sob sigilo enquanto ele continuava a endossar publicamente a campanha de vacinação em massa.
No relato daquela data, Fauci registrou ter sentido fortes dores no peito, o que o levou a realizar exames de imagem detalhados de forma privada. O resultado da tomografia computadorizada acusou um “infarto pulmonar definitivo” localizado no lobo inferior de seu pulmão direito. Diante do diagnóstico de bloqueio do fluxo sanguíneo na região, o médico foi colocado imediatamente sob terapia com o medicamento anticoagulante Eliquis para conter o avanço do coágulo.
Linha do tempo e repercussões políticas
A divulgação dos documentos ocorreu pouco antes do tenso depoimento de Fauci ao Senado, onde ele optou por invocar a Quinta Emenda constitucional para não responder aos questionamentos dos parlamentares. Figuras políticas proeminentes, como o atual secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., utilizaram a anotação para endossar teses sobre a suposta omissão de dados de segurança.
Kennedy Jr. e aliados destacaram que o infarto pulmonar ocorreu exatamente cinco meses após Fauci ter recebido publicamente a sua segunda dose do imunizante de mRNA da Moderna, no final de 2020. O argumento central levantado pela ala crítica é que as agências de saúde americanas e o próprio conselheiro médico sabiam do volume de relatos de eventos adversos cardiovasculares e tromboembólicos em 2021, mas escolheram mitigar o debate público para evitar a hesitação vacinal.
O que diz a ciência sobre a causalidade?
Apesar da exploração do caso nas redes sociais, analistas e relatórios médicos independentes indicam que as próprias anotações de Fauci não estabelecem um nexo de causalidade direto entre a vacina da Covid-19 e o coágulo que gerou o infarto pulmonar.
Especialistas em saúde pública reforçam que um infarto pulmonar é decorrente de uma embolia e pode ser desencadeado por uma vasta gama de fatores de risco comuns e preexistentes, que incluem:
- Idade avançada do paciente (Fauci tinha 80 anos na época do ocorrido).
- Longos períodos de imobilidade física decorrentes de viagens ou extensas rotinas de escritório.
- Sequelas de infecções virais prévias.
Dados oficiais de vigilância sanitária reconhecem que distúrbios de coagulação raros foram identificados na literatura médica associados a vacinas, mas os mesmos episódios tromboembólicos são estatisticamente muito mais frequentes em pacientes que contraíram o vírus da COVID-19 de forma ativa. Os defensores de Fauci alegam que o episódio consistiu em uma intercorrência médica privada perfeitamente tratada e desvinculada de conspirações institucionais.
