Zip News OnlineBrasilBuscar ⌕
Home›Brasil
Brasil

O filme de Lula foi propina de Vorcaro: áudio revela pagamento “por fora” em troca de acesso a fundos de pensão

O filme de Lula foi propina de Vorcaro: áudio revela pagamento “por fora” em troca de acesso a fundos de pensãoEm áudio obtido pela revista Veja e amplamente divulgado nesta…

Por Ebenezer Saint10/10/2026 00:38◉ 134 visualizações
O filme de Lula foi propina de Vorcaro: áudio revela pagamento “por fora” em troca de acesso a fundos de pensão

O filme de Lula foi propina de Vorcaro: áudio revela pagamento “por fora” em troca de acesso a fundos de pensão

Em áudio obtido pela revista Veja e amplamente divulgado nesta sexta-feira (9), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master e preso por fraude, afirma ter liberado recursos em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o pagamento foi feito “por fora” e de forma irregular, em troca de facilidades para o banco acessar os fundos de pensão de estatais.

No trecho que circula nas redes, Vorcaro declara:

“Banco do Brasil, a gente estruturou isso com ele. O Augusto adianta ali para o Okamotto, Instituto Lula. E aí tem o negócio do filme. O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, né? O do Lula foi errado. O do Flávio não foi, porque ele pediu patrocínio.”

A gravação contrasta o repasse ao documentário de Lula (dirigido por Oliver Stone) com o patrocínio oficial dado a uma produção sobre Jair Bolsonaro (Dark Horse), que, segundo Vorcaro, teria sido feito de forma regular a pedido de Flávio Bolsonaro.

O esquema descrito

De acordo com relatos e documentos apresentados por Vorcaro em proposta de delação à Procuradoria-Geral da República (descartada por falta de corroboração), a negociação teria ocorrido por intermédio de seu então sócio Augusto Lima e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Para obter o credenciamento do Master junto a fundos como Previ (funcionários do Banco do Brasil), Caixa Asset, Funcef, Petros e Postalis, Vaccari teria exigido:

  • Cerca de R$ 30 milhões em espécie, pagos “por fora” ao Instituto Lula (gerido por Paulo Okamotto), destinados a cobrir despesas do documentário sobre o presidente;
  • Uma taxa de 10% sobre tudo o que o banco captasse nesses fundos.

Se a operação tivesse se concretizado, o PT embolsaria cerca de R$ 1 bilhão, enquanto o Master ficaria com aproximadamente R$ 9 bilhões. A operação, no entanto, não avançou.

Vorcaro ainda cita envolvimento de “caciques do PT da Bahia” e menções a autoridades como o ministro Alexandre Padilha em versões do relato.

X / Twitter


Repercussão e versões oficiais

A reportagem da Veja gerou forte repercussão política. O PT classificou o relato como “farsa com objetivos eleitorais”. Fontes da PGR e da Polícia Federal afirmaram que a proposta de delação de Vorcaro foi rejeitada por falta de provas suficientes e que o áudio em questão não teria sido formalmente entregue à equipe que conduzia as tratativas.

O ex-banqueiro, por meio de sua defesa, sustenta que possui “informações personalíssimas e relevantes” e que continua disponível para colaborar com as autoridades.

O caso reabre discussões sobre a relação entre o sistema financeiro, fundos de pensão de servidores públicos e a política. Os fundos citados são patrimônios de trabalhadores que contribuíram ao longo da carreira — e qualquer irregularidade no acesso a esses recursos atinge diretamente o bolso de milhares de funcionários públicos e aposentados.

Até o momento, não há confirmação judicial das acusações de Vorcaro. O áudio, no entanto, coloca o documentário sobre Lula no centro de mais um capítulo das investigações envolvendo o Banco Master e suas articulações políticas.

Comentários

Ainda não há comentários aprovados. Seja o primeiro a participar.