A corrida presidencial de 2026 registra seus primeiros episódios de forte tensão na segurança pública. A equipe jurídica do senador e candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL), oficializou uma representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compartilhando dados alarmantes sobre o ecossistema digital. Segundo o monitoramento da campanha, foram interceptadas 2.417 publicações hostis em um período de dez dias. Desse total, 898 consistem em ameaças explícitas de morte, incitação direta à violência física e mensagens com códigos cifrados sugerindo atentados iminentes.
O próprio candidato associou o aumento na agressividade de grupos radicais à sua plataforma de governo. Flávio Bolsonaro publicou uma análise detalhada em seu canal oficial do YouTube ligando a onda de ataques ao seu recente compromisso público de enquadrar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), na Lei de Terrorismo.
Alerta máximo em Juiz de Fora e ação policial
O episódio mais crítico ocorreu na cidade de Juiz de Fora (MG) — município marcado pelo atentado à faca sofrido por seu pai, Jair Bolsonaro, durante a campanha de 2018. A Sala de Situação de Inteligência da Polícia do Senado Federal identificou um homem que postou ameaças diretas de esfaqueamento contra o senador, utilizando emojis de facas em uma rede social.
Em uma operação conjunta com a Polícia Civil de Minas Gerais, policiais do Senado cumpriram mandados de busca e apreensão na residência do suspeito. O homem foi conduzido à delegacia, prestou depoimento e teve celulares e computadores recolhidos para perícia técnica. Como medida protetiva imediata, o Poder Judiciário impôs ao investigado uma medida cautelar de restrição, proibindo-o de se aproximar a menos de 500 metros do candidato ou de suas comitivas de campanha.
Uso obrigatório de coletes balísticos
A gravidade do documento enviado ao presidente do TSE fez com que a liderança do Partido Liberal (PL) reestruturasse os protocolos logísticos do candidato. Flávio Bolsonaro passou a cumprir agendas de rua, como caminhadas e comícios, vestindo coletes à prova de balas por baixo de suas vestimentas, medida adotada em sua estreia oficial em Copacabana, no Rio de Janeiro, e em eventos subsequentes em Belo Horizonte.
A defesa institucional do parlamentar argumenta que as expressões de ódio propagadas nas redes sociais funcionam como um “apito de cachorro” (termo político para mensagens cifradas) capaz de motivar indivíduos radicalizados a realizarem atos violentos reais. A segurança pessoal do candidato seguirá sob a tutela estrita da Polícia do Senado, que recusou o apoio da Polícia Federal devido à expertise interna em proteção de autoridades.
