O presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), Carlos Roberto Ferreira Lopes, é considerado foragido pela Polícia Federal, segundo investigações da Operação Sem Desconto. Contra ele, há um mandado de prisão preventiva decretado pelo Supremo Tribunal Federal. 
A Conafer, sob comando de Lopes, é apontada como peça central de um esquema de descontos abusivos em aposentadorias e pensões do INSS. Relatórios da CGU (Controladoria-Geral da União) mostram que, entre 2019 e 2024, a entidade acumulou cerca de R$ 688 milhões em deduções — um crescimento de mais de 790 vezes no período. 
De acordo com a PF e a CGU, muitos desses descontos foram feitos sem autorização dos beneficiários, ou por meio de Acordos de Cooperação Técnica (ACT) falhos.  Em depoimento à CPMI do INSS, Lopes negou participação direta nas fraudes, alegando não conhecer os detalhes das operações sob investigação. 
Em setembro de 2025, ele chegou a ser preso por falso testemunho durante depoimento na CPMI, mas foi solto após pagar R$ 5 mil de fiança.  Já a Conafer sustenta que não há risco de evasão, afirmando que Lopes está em uma “área de difícil acesso” e se apresentará em breve às autoridades. 
Segundo a Polícia Federal, o esquema teria três núcleos: comando, político e financeiro, com Lopes liderando a articulação das fraudes.  Investigações apontam ainda para movimentação suspeita de recursos: mais de R$ 640 milhões denunciados como desviados para empresas de fachada e contas de operadores financeiros afiliados ao grupo. 
Em depoimento na CPMI, Lopes afirmou que a Conafer presta serviços legítimos, como assessoria jurídica, programa digital para segurados e programas voltados à agricultura familiar.  No entanto, a CGU concluiu que 70% das entidades investigadas não tinham documentos completos para justificar os valores cobrados. 
Além disso, delações e relatórios de inteligência financeira indicam ciclos de lavagem de dinheiro, com repasses entre Lopes, empresários próximos e contas vinculadas a operadores financeiros. 
Especialistas apontam que o caso da Conafer representa não só uma grande fraude previdenciária, mas também um problema institucional: entidades associativas estariam usando a estrutura legal de cooperação com o INSS para se financiar de forma ilícita. 
Diante da gravidade do esquema e da ausência de Lopes para cumprir o mandado, a PF intensifica as buscas pelo presidente da Conafer. O desdobramento da operação pode trazer novas prisões e identificar outros envolvidos no que pode se tornar um dos maiores escândalos da seguridade social brasileira.
