Os Estados Unidos informaram ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, nesta terça-feira, que irão impor e fazer cumprir sanções contra a Venezuela e o presidente Nicolás Maduro na máxima extensão permitida pela legislação americana. O anúncio foi feito durante sessão convocada para discutir denúncias apresentadas pelo governo venezuelano contra operações norte-americanas no Caribe e o cerco econômico imposto ao país.
De acordo com o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Watts, o objetivo central da política adotada pelo governo do presidente Donald Trump é privar o regime venezuelano de recursos financeiros oriundos do petróleo, considerados essenciais para a manutenção de Maduro no poder. Segundo Washington, esses recursos estariam sendo usados para sustentar uma “apropriação fraudulenta do governo” e financiar atividades classificadas como narcoterroristas.
O governo americano acusa Nicolás Maduro de liderar o chamado Cartel de los Soles, descrito como uma organização criminosa ligada ao tráfico internacional de drogas. As acusações incluem envolvimento direto com redes de narcotráfico que operam na América Latina e no Caribe. Em razão disso, os Estados Unidos oferecem uma recompensa de 50 milhões de dólares — valor equivalente a cerca de 277 milhões de reais — por informações que levem à captura do presidente venezuelano.
A sessão do Conselho de Segurança teve como pano de fundo as queixas apresentadas pela Venezuela à ONU, que acusa os Estados Unidos de ataques no Caribe e de promover um bloqueio econômico ilegal, intensificado pela apreensão de carregamentos de petróleo venezuelano. Washington, por sua vez, sustenta que as operações visam coibir o financiamento do regime e impedir que o petróleo seja utilizado como fonte de sustentação política e criminal.
Em resposta à ofensiva americana, a Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pelo partido de Nicolás Maduro, aprovou nesta terça-feira uma nova legislação que prevê penas de até 20 anos de prisão para quem promover, financiar ou colaborar com o que o governo classifica como atos de “pirataria”, bloqueios ou interferências contra a navegação e o comércio do país. O texto foi aprovado por unanimidade e agora segue para sanção do Executivo, entrando em vigor após publicação oficial.
Batizada de projeto para garantir a liberdade de navegação e comércio contra pirataria, bloqueios e outros atos ilícitos internacionais, a nova lei amplia o rol de crimes internacionais e surge em meio às operações realizadas pelos Estados Unidos contra carregamentos de petróleo venezuelano. Para analistas internacionais, a medida representa uma tentativa do regime de criminalizar sanções e ações externas, reforçando o discurso de cerco internacional.
O embate entre Washington e Caracas aprofunda a crise diplomática e econômica da Venezuela e amplia o risco de isolamento ainda maior do país no cenário internacional. Enquanto os Estados Unidos reforçam a estratégia de asfixia financeira para pressionar pela saída de Maduro, o regime venezuelano reage com medidas internas de endurecimento legal e retórica de enfrentamento, elevando a tensão regional.
Fox News
