Lula rebate chanceler alemão sobre Belém: “Berlim não dá 10% do que Pará oferece”

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Durante discurso em São Geraldo do Araguaia (PA), o presidente Lula rebateu comentários do chanceler alemão Friedrich Merz, que disse ter ficado “feliz por sair” de Belém após a COP30. Lula afirmou que, se Merz tivesse provado a culinária e vivido a cultura paraense, perceberia que Berlim “não oferece 10%” daquilo que o Pará tem. Mesmo assim, críticos apontam para graves deficiências em saneamento e moradia na capital Belém — justamente os problemas que muitos julgam ter sido camuflados com as obras da COP30.


• O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou, após a COP30 em Belém, que ele e sua delegação “ficaram contentes por voltar” à Alemanha — comentário que gerou forte reação no Brasil.
• Em resposta, Lula afirmou que Merz “deveria ter dançado no Pará, provado a culinária” local, porque assim veria que “Berlim não oferece 10% do que o Pará e Belém têm a oferecer.”
• O presidente ainda defendeu os investimentos feitos para a COP30 como um legado duradouro para a população: “cada centavo que colocamos aqui é do povo de Belém” e “essas obras … vão ficar para o povo da cidade”, disse durante visita às obras do Canal da União, Porto Futuro II e Parque da Cidade.
• Ele também minimizou a ideia de um evento “de luxo”: “Belém não vai ser COP do luxo, vai ser da verdade,” declarou Lula, enfatizando que a conferência é um pretexto para mostrar ao mundo a Amazônia e melhorar a infraestrutura para a própria população local.
• Além disso, ao rebater críticas sobre pobreza, ele afirmou: “turista não vai visitar miséria” — argumentando que as obras são para beneficiar moradores, não apenas receber delegados.

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Ainda que Lula defenda que a COP30 deixe um legado positivo para Belém, a realidade dos indicadores de saneamento e habitação na cidade e no estado do Pará mostra desafios profundos:

• Apenas 19,3% da população de Belém tem acesso à coleta e tratamento de esgoto, segundo dados do SINISA.
• A COSANPA, companhia de saneamento do Pará, mostra que 61,9% da água captada é perdida na rede (por vazamentos, ligações clandestinas e outros) na cidade de Belém.
• Conforme estudo da CPI sobre infraestrutura no Pará, cerca de 52% dos domicílios no estado não têm acesso à rede de água, e muitos dependem de poços ou fontes naturais.
• No estado do Pará como um todo, segundo o Trata Brasil, 93,9% do esgoto gerado não é tratado.
• Relatórios anteriores da InfoAmazônia apontam que Belém está entre as capitais com piores indicadores de tratamento de esgoto no país.

• Embora dados recentes específicos sobre moradia (número de favelas, habitação precária em Belém) sejam menos consolidados em fontes públicas recentes, reportagens sobre saneamento e drenagem mencionam que os projetos de COP30 incluem obras de macrodrenagem em canais historicamente problemáticos — como os canais Tucunduba, Murucutu, União — para mitigar inundações que afetam bairros vulneráveis.
• As obras para macrodrenagem e urbanização estão estimadas em R$ 847 milhões por meio do BNDES, com a promessa de beneficiar centenas de milhares de moradores em regiões vulneráveis de Belém.
• Em visita às obras, Lula disse reconhecer que Belém tem “problema de drenagem, problema da pobreza” — e justificou a escolha da cidade para a COP30 como uma forma de mostrar ao mundo a Amazônia e mobilizar investimentos.

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• Retórica de Lula: o presidente apresenta a COP30 como uma oportunidade para transformar Belém, trazendo saneamento, mobilidade, cultura e visibilidade internacional. Ele repete que os investimentos são para a população, não apenas para impressionar visitantes.
• Realidade nos dados: apesar dos anúncios de obras, os indicadores mais recentes mostram que a cidade continua com cobertura de esgoto muito baixa (menos de 20%), alta perda de água na rede, e ainda existe um grande déficit no tratamento de esgoto no estado do Pará.
• Crítica externa: a acusação de que Merz “não ficou porque Belém é fraca” é rebatida por Lula como preconceito e ignorância cultural. Mas analistas e parte da mídia apontam que, para muitos, a escolha de Belém para sediar a COP30 teria sido uma jogada simbólica, com obras vistosas, mas que não resolvem de imediato as desigualdades estruturais históricas.

O confronto diplomático entre Lula e o chanceler alemão Friedrich Merz revelou mais que um choque de egos culturais: expôs uma tensão entre a narrativa de legado deixado pela COP30 e os dados reais sobre a infraestrutura urbana de Belém e do Pará. Lula aposta no evento como uma alavanca para investimento e transformação, mas os críticos argumentam que as deficiências no saneamento e moradia exigem mais do que discursos e inaugurações — exigem ações de longo prazo.

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