Produção caiu cerca de 800 milhões de libras nos primeiros sete meses de 2026, enquanto rebanho de vacas de corte continua abaixo do nível do ano passado
A oferta de carne bovina produzida nos Estados Unidos continua sob pressão em 2026. Dados recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram redução na produção, menor número de animais abatidos e um rebanho bovino que ainda enfrenta dificuldades para iniciar uma recuperação consistente.
Entre janeiro e julho de 2026, a produção comercial de carne bovina nos Estados Unidos ficou em aproximadamente 14,4 bilhões de libras, contra cerca de 15,2 bilhões de libras no mesmo período de 2025. A diferença é de aproximadamente 800 milhões de libras, segundo dados do USDA citados em reportagem publicada nesta quinta-feira, 24 de setembro.
A redução acompanha a queda no abate. Nos primeiros sete meses deste ano, aproximadamente 16,2 milhões de bovinos foram abatidos comercialmente, abaixo dos cerca de 17,5 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Pecuarista alerta: “os números simplesmente não existem mais”
Will Harris, pecuarista de quarta geração e proprietário da White Oak Pastures, na Geórgia, afirmou à Fox News Digital que anos de dificuldades financeiras levaram muitos produtores a reduzir ou liquidar seus rebanhos.
Segundo Harris, mesmo a valorização recente do gado ainda não provocou uma expansão semelhante à observada em outros ciclos da pecuária americana. O produtor aponta o elevado custo de terras, equipamentos e animais como uma das barreiras para novos investimentos e para a entrada de novos pecuaristas no setor.
Os números oficiais reforçam parte dessa preocupação. Em 1º de janeiro de 2026, os Estados Unidos possuíam 86,2 milhões de bovinos e bezerros, enquanto o número de vacas destinadas à produção de carne estava em 27,6 milhões, queda de 1% em relação ao ano anterior. O USDA também estimou uma redução de 2% na produção de bezerros.
Dados de julho mostram cenário ainda apertado
O levantamento mais recente do USDA, divulgado em julho, trouxe alguns sinais mistos. O inventário total chegou a 94,2 milhões de bovinos e bezerros em 1º de julho, ligeiramente acima do ano anterior. Entretanto, o número de vacas de corte ficou em 28,5 milhões, ainda 1% abaixo de 2025, e a produção projetada de bezerros caiu 2%.
Isso significa que uma eventual recomposição da oferta não deve ocorrer imediatamente. A pecuária bovina possui um ciclo de produção longo: mesmo quando produtores decidem aumentar seus plantéis, são necessários meses ou anos para que o crescimento do rebanho se transforme em maior disponibilidade de carne no mercado.
USDA prevê menos carne em 2026 e 2027
O relatório mais recente do USDA, publicado em 17 de setembro de 2026, confirma que o abate de gado terminado continua em níveis historicamente baixos. Por isso, o órgão reduziu suas projeções para a produção de carne bovina tanto em 2026 quanto em 2027.
O problema não começou neste ano. Em 2025, os Estados Unidos produziram aproximadamente 26,1 bilhões de libras de carne bovina, queda de 4% sobre 2024. O abate comercial de bovinos caiu 6%, para 29,8 milhões de animais.
A combinação de rebanho reduzido, menor abate e demanda doméstica mantém a disponibilidade de carne como uma questão importante para consumidores, produtores e autoridades.
Importações ganham espaço
Diante da oferta doméstica limitada, as importações passaram a ter papel ainda mais relevante. O governo americano ampliou temporariamente em 2026 a quantidade de determinados cortes bovinos magros que podem entrar no país dentro da cota tarifária.
Em agosto, a Casa Branca afirmou que a contração da oferta doméstica, combinada à demanda por carne, continuava pressionando os preços. O governo também citou fatores como seca, incêndios em regiões produtoras e restrições à entrada de animais vivos do México relacionadas à prevenção da New World Screwworm, a mosca-da-bicheira.
O USDA prevê que a expansão da cota sem tarifa para determinados cortes magros deverá elevar as importações americanas no final de 2026.
Consumidor pode continuar sentindo pressão no supermercado
Embora os preços do gado tenham recuado em relação aos picos registrados na primavera, a oferta permanece restrita. O próprio USDA continua projetando produção menor de carne bovina para 2026 e 2027.
O cenário cria um desafio: preços elevados podem incentivar pecuaristas a reconstruir seus rebanhos, mas a retenção de fêmeas para reprodução também reduz temporariamente o número de animais disponíveis para abate.
Assim, mesmo que a pecuária americana esteja entrando nos primeiros estágios de reconstrução do rebanho, o processo deverá ser gradual. Para os consumidores, isso significa que a disponibilidade limitada de carne bovina e a maior participação das importações continuarão entre os principais fatores a acompanhar nos próximos meses.
Fox News