A cidade de Morón, na província de Ciego de Ávila, tornou-se o epicentro de uma revolta popular na noite de sexta-feira, 13 de março de 2026.
Em meio a uma grave crise energética, a sede local do Partido Comunista de Cuba (PCC) foi invadida e incendiada por manifestantes. O incidente marca um dos episódios mais intensos de resistência civil registrados na ilha nos últimos meses.
A fúria contra a falta de energia
Os protestos foram desencadeados por apagões contínuos que deixaram a região sem eletricidade por mais de 30 horas. De acordo com relatos de moradores e vídeos compartilhados nas redes sociais, a multidão se reuniu inicialmente para um “cacerolazo”, batendo panelas em sinal de descontentamento.
No entanto, a manifestação escalou rapidamente. Vários manifestantes entraram no edifício do PCC, de onde móveis e materiais de propaganda foram retirados para alimentar fogueiras em plena via pública. Simultaneamente, gritos de “Liberdade!” e “Abaixo o comunismo!” ecoaram pelas ruas escuras da cidade.
Repressão e relatos de feridos
A resposta das forças de segurança foi imediata e severa. Infelizmente, há relatos de que um jovem foi ferido por disparos de arma de fogo, supostamente efetuados pela polícia durante o confronto em frente à delegacia local. Além disso, o serviço de internet foi interrompido na região para evitar a disseminação de vídeos em tempo real sobre a situação.
Embora o governo cubano tenha tentado minimizar os eventos classificando-os como atos de “vandalismo”, a população local afirma que os protestos são o resultado do esgotamento diante da fome e da falta de serviços básicos. Portanto, o clima permanece tenso em Morón, com forte patrulhamento policial nas ruas.
O contexto da crise em 2026
Cuba enfrenta atualmente um colapso infraestrutural profundo. Somado a isso, a escassez de combustível e falhas em usinas termoelétricas têm provocado interrupções de energia que duram até 20 horas diárias em diversas províncias. Em suma, o incêndio em Morón é visto por analistas como um reflexo do desespero de um povo que, sem luz e sem comida, perdeu o medo de enfrentar o regime.
