Terrorismo e Estratégia Racional
Um evento que exemplifica a ideia de que terroristas tomam decisões calculadas com objetivos políticos subjacentes é o massacre em Austin, ocorrido no domingo, 1º de março. Usamos esse exemplo porque ele está sendo investigado como um possível ato terrorista.
O atirador, Ndiaga Diagne, vestia um moletom com a inscrição “Propriedade de Alá”, uma camisa com a bandeira iraniana por baixo e tinha um Alcorão em seu carro. Todos esses fatores, considerando o contexto internacional, indicam uma possível motivação política.
A aleatoriedade do ataque — um bar fechando após uma longa noite, cheio de estudantes universitários — não invalida a hipótese de terrorismo; pelo contrário, pode reforçá-la, pois a aleatoriedade é uma forma eficaz de incitar medo na população. Quando não há padrão, torna-se difícil prever ou evitar o perigo, e esse parece ser justamente o objetivo: atingir pessoas comuns.
Da mesma forma, o fato de os investigadores ainda não terem encontrado ligações diretas com organizações terroristas também não invalida a hipótese. Esse tipo de evento é frequentemente descrito como um “ataque de lobo solitário”, no qual organizações terroristas transnacionais incentivam, por meio das redes sociais e de publicações na internet, ataques realizados por indivíduos que não são membros formais do grupo, mas compartilham seus objetivos ideológicos.
Estratégias como essa surgem, em parte, da relativa fragilidade dessas organizações diante do poder do Estado. Dessa forma, indivíduos e grupos encontram maneiras de cooperar para alcançar objetivos comuns sem depender de uma liderança centralizada. A estrutura descentralizada dessas redes pode ser comparada a uma hidra: mesmo que uma “cabeça” seja removida — ou uma célula seja desmantelada — outras podem surgir, mantendo a estrutura ativa.
Por isso, organizações terroristas podem ser difíceis de conter. Muitas vezes, há poucas medidas proativas que o governo poderia ter adotado previamente para evitar ataques dessa natureza.
Esse tipo de ação também pode fazer parte de uma estratégia conhecida como “provocação”, na qual o objetivo é levar o governo a reagir de forma excessiva. Quando o Estado responde com políticas duras ou discriminatórias, corre o risco de perder sua autoridade moral e gerar tensões sociais.
Na prática, isso poderia se manifestar em medidas agressivas ou discriminatórias contra muçulmanos, pessoas do Oriente Médio ou africanos nos Estados Unidos, tornando essas comunidades alvos de xenofobia. Além disso, mecanismos típicos de um estado de vigilância, que restringem liberdades individuais, podem ser implementados em nome da segurança.
Essas contra-ações do governo podem gerar desconfiança ou rejeição por parte da população. Essa preocupação é frequentemente associada à famosa citação de Benjamin Franklin:
“Aqueles que abrem mão da liberdade essencial para comprar um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.”
