Esquema de fraude milionário usa decisões judiciais para limpar nome de devedores

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Quase 83 milhões de brasileiros enfrentam o endividamento atualmente, o que representa metade da população adulta do país . Diante da maior taxa média de inadimplência registrada desde 2011, golpistas criaram uma estrutura altamente lucrativa . Anúncios espalhados pela internet prometem limpar o nome de devedores em tempo recorde, mas escondem uma fraude criminosa . Na realidade, a dívida nunca é cancelada pelos credores . O débito apenas desaparece temporariamente dos bancos de dados dos órgãos de proteção ao crédito .

Essa ocultação mágica ocorre por meio da chamada “indústria do limpa-nome” . De acordo com as investigações em andamento, quadrilhas utilizam associações de defesa do consumidor de fachada para iniciar processos em massa. Consequentemente, esses grupos ingressam com ações coletivas na Justiça contendo endereços falsos e dados manipulados para enganar os magistrados.

Liminares suspeitas e endereços fantasmas sustentam o golpe

O coração do esquema milionário reside na obtenção de liminares urgentes de forma fraudulenta . Advogados criminosos distribuem os processos para comarcas específicas, onde juízes também estão sob forte investigação por concederem as ordens suspeitas . Dessa forma, os magistrados ordenam a exclusão imediata dos nomes dos devedores dos cadastros de restrição antes mesmo de analisar o mérito da dívida .

Para centralizar as ações e burlar o sistema de distribuição do Judiciário, os fraudadores utilizam endereços fantasmas. Com isso, eles criam uma falsa jurisdição que justifica o envio de milhares de processos para um único local. Enquanto o nome do cliente permanece limpo de maneira artificial, as empresas que contrataram o serviço conseguem obter novos empréstimos e cartões de crédito no mercado nacional.

Autoridades miram advogados e membros do Judiciário

Por causa do volume alarmante de decisões idênticas, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e as polícias civis iniciaram uma varredura rigorosa. As associações legítimas de defesa do consumidor repudiam a prática, visto que o golpe mancha a reputação das entidades sérias. Além disso, os golpistas cobram taxas altíssimas dos inadimplentes para realizar o serviço fraudulento, lesando tanto o comércio quanto os próprios cidadãos.

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Por fim, os envolvidos direta ou indiretamente responderão pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e organização criminosa. As ordens obtidas ilegalmente serão revogadas pelas instâncias superiores nas próximas semanas. Portanto, os consumidores que contrataram o serviço terão suas restrições reinseridas nos sistemas de proteção ao crédito, acumulando juros ainda maiores sobre o saldo devedor original.

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