Um trecho de vídeo do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello voltou a ganhar repercussão nas redes sociais ao trazer duras críticas ao atual funcionamento do Judiciário brasileiro. Nas imagens, o magistrado aposentado afirma que o país vive “tempos estranhos”, nos quais ministros do STF acabam julgando a si próprios e a seus familiares, caracterizando o cenário como uma crise institucional e moral, e não apenas política.
A postagem foi publicada em 16 de janeiro de 2026 pelo deputado federal Giovani Cherini (PL-RS) e rapidamente alcançou boa repercussão no meio conservador, somando 85 curtidas e 37 republicações, em um ambiente já marcado por debates intensos sobre ética, limites de poder e responsabilização do Judiciário.
Críticas Que Ecoam o Passado
As declarações não são isoladas. Marco Aurélio tem mantido um discurso crítico constante desde sua aposentadoria do STF, em 2021, alertando para o que chama de excessos, personalismo e “extravagância” da Corte. Em julho de 2025, ele já havia classificado decisões recentes do Supremo como desconectadas do papel constitucional do tribunal, reforçando a percepção de que o STF estaria extrapolando suas atribuições.
Para o ex-ministro, o problema vai além de disputas políticas pontuais. Segundo ele, há uma erosão de princípios básicos, como imparcialidade, autocontenção e separação entre interesses pessoais e institucionais.
Reação Política e Conservadora
A publicação feita por Giovani Cherini ampliou o alcance das falas, sendo rapidamente incorporada ao discurso de setores conservadores que denunciam desvios éticos e concentração excessiva de poder no Supremo. Comentários associados à postagem falam em “autojulgamento”, “corporativismo” e “blindagem institucional”, além de pedidos por reformas profundas no sistema de controle do Judiciário.
Para esses críticos, o STF estaria operando em um vácuo de responsabilização, agravando a desconfiança da população nas instituições.
Tensões Históricas com o Senado
O histórico de embates de Marco Aurélio também reforça o peso de suas declarações. Durante o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, o então ministro protagonizou confrontos públicos com o Senado Federal, defendendo uma leitura rigorosa da Constituição e criticando interferências políticas no processo.
Esse passado contribui para que suas falas atuais sejam vistas não apenas como opinião pessoal, mas como um alerta de alguém que conhece profundamente os bastidores do Supremo.
Judiciário Sob Escrutínio Permanente
As críticas surgem em um momento de tensão institucional prolongada, no qual decisões do STF têm sido constantemente questionadas por parlamentares, juristas e parte significativa da sociedade civil. A ausência de mecanismos claros de freios internos e externos à Corte alimenta o debate sobre reformas, limites e accountability.
Ao classificar o cenário como uma crise moral, Marco Aurélio reforça a ideia de que o problema não se resolve apenas com mudanças políticas, mas exige uma reavaliação profunda da cultura institucional do Judiciário brasileiro.
