Relatos de policiais que atuaram na chamada Operação Contenção descrevem uma ação de “alto poder bélico”, emboscadas e confronto intenso nas favelas do Complexo do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. A ofensiva, realizada em 28 de outubro e que já é tratada como uma das mais letais da história recente do país, provocou dezenas de mortes, prisões em massa e levou o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) a abrir perícia independente e investigar possíveis irregularidades.
Delegados e membros das forças que participaram da operação afirmaram ao MPRJ e à imprensa que a ação foi preparada por meses, com esforços de inteligência e planejamento — e que, ainda assim, se transformou em um cenário de guerra, com traficantes fortemente armados reagindo e realizando emboscadas. Segundo relatos, havia concentração de efetivos especializados (incluindo Bope), divisão de setor de atuação (parte alta e parte baixa) e tentativas de resgate e contra-ataque por parte do crime organizado. 
Há divergência entre levantamentos sobre o número de mortos e detidos: veículos internacionais e nacionais reportaram contagens que variam (em algumas apurações chegam a 121 mortos; outras, a contagens mais baixas como 64 mortos), além de relatos de dezenas de presos e grande apreensão de armamento — inclusive fuzis e pistolas — além de quantidades relevantes de entorpecentes. O contraste nas estatísticas e relatos tem sido ponto central das investigações e do debate público. 
Relatórios jornalísticos apontam que menos da metade dos policiais das unidades especializadas usou câmeras corporais durante a ação, contrariando comunicados anteriores do governo que afirmavam uso universal desses equipamentos. A ausência de imagens integrais dificulta a reconstrução dos fatos e aumenta pedidos por perícias externas e transparência. 
O MPRJ determinou perícia independente em vítimas e começou a mapear indícios de irregularidades nas mortes ocorridas durante a operação; paralelamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem cobrado informações e estendeu prazos para que o governo do Estado preste esclarecimentos sobre laudos e procedimentos adotados. Organizações de direitos humanos e ONGs também pedem investigação rigorosa e responsabilização quando houver abuso. 
A operação foi deflagrada após um ano de investigações que buscavam desarticular a estrutura do Comando Vermelho no Alemão e na Penha, com mandados de prisão e busca direcionados a lideranças apontadas como responsáveis por coordenação e comércio de armas e drogas. Documentos e denúncias apresentados pelo MPRJ descrevem hierarquia e práticas de tortura dentro da facção, o que motivou a ação, segundo as autoridades. 
Além do impacto imediato nas comunidades — com relatos de moradores sobre violência, destruição e mortes — a operação provocou reação política: houve críticas ao governador do estado, manifestações em várias cidades e debates sobre estratégias de segurança pública versus proteção de direitos humanos. Organizações internacionais (ONU, Human Rights Watch) também se manifestaram, cobrando apuração completa dos fatos. 
As investigações do MPRJ e os pedidos de esclarecimento do STF devem definir se houve excessos ou violações de protocolos operacionais. Perícias independentes nas vítimas, análise de inteligência sobre o planejamento da operação, verificação do uso de equipamentos (como câmeras) e cruzamento de mandados e listas de investigados são passos anunciados para esclarecer responsabilidades e impactos. 
Enquanto o Estado apresenta a operação como um golpe significativo contra a estrutura do Comando Vermelho, advogados, ONGs e parte da sociedade exigem respostas sobre a proporcionalidade da ação e a proteção de civis. A disputa entre a necessidade de controle do crime organizado e a exigência de respeito aos direitos fundamentais tende a marcar desdobramentos judiciais e políticos nos próximos dias — com o MPRJ e o STF no centro das apurações.
