O maior distrito de escolas públicas de Nebraska determinou o fim imediato do uso de dispositivos de eletrochoque portáteis por oficiais de segurança dentro dos colégios.
A decisão de vetar as luvas de choque elétrico em escolas de Omaha ocorreu após o superintendente do distrito, Matthew Ray, enviar uma carta oficial à prefeitura e à polícia exigindo a interrupção do programa. O pedido foi prontamente atendido pelo prefeito da cidade, John Ewing Jr., e pelo chefe de polícia, Todd Schmaderer.
O veto foi motivado pela forte mobilização da comunidade e por uma reunião do conselho escolar na qual dezenas de pais e alunos se manifestaram contra os equipamentos, classificando a prática como inaceitável para o ambiente escolar.
O que são as luvas de choque e como eram usadas?
Os dispositivos banidos são conhecidos tecnicamente como G.L.O.V.E. (Generated Low Output Voltage Emitter), fabricados pela empresa Compliant Technologies LLC. A prefeitura de Omaha havia assinado um contrato de cerca de US$ 66.000 para adquirir 40 pares dessas luvas.
- Funcionamento: O equipamento emite pulsos elétricos de baixa voltagem diretamente na pele da pessoa através do toque do policial, gerando dor para obter “submissão” sem deixar marcas de queimadura.
- Histórico de uso: A polícia de Omaha confirmou que as luvas foram utilizadas duas vezes contra estudantes. Em um dos casos, o choque foi aplicado para impedir a fuga de um aluno; no outro, contra um estudante que agrediu um guarda com uma cadeira.
- Falta de aviso: Membros do conselho escolar relataram que não sabiam da existência e do uso desses equipamentos nas salas de aula até que o caso ganhou repercussão na mídia local.
Reação da comunidade e próximos passos
Durante a última reunião pública, estudantes locais expressaram indignação com a medida de segurança. Nora Wessel, aluna da Omaha Central High School, desabafou afirmando que “essas armas criam uma barreira para que os alunos confiem nos oficiais de segurança”.
Apesar do recuo no uso das luvas, o Omaha Police Department informou que seus 34 oficiais baseados em escolas continuarão portando armas de fogo tradicionais, tasers convencionais, sprays de pimenta e cassetetes para intervenções de emergência. O superintendente Matthew Ray reforçou que o distrito valoriza a segurança, mas que manter as luvas de choque operando seria “contraproducente” para a relação entre alunos e forças policiais.
