As três frentes de investigação e o lucro de 20%
A Polícia Federal mapeou uma suposta aliança entre o filho do presidente e a lobista Roberta Luchsinger. Atualmente, Lulinha é alvo de três inquéritos, sendo dois relatados pelo ministro André Mendonça e um pelo ministro Flávio Dino no STF.
A apuração central foca em conversas interceptadas onde Roberta e Lulinha tratavam de negócios no setor de cannabis medicinal. Em um dos diálogos, eles mencionam a expectativa de alcançar outro patamar financeiro — com mensagens citando que o “futuro é a Suíça”. A PF investiga se o grupo pretendia lucrar cerca de 20% em cima de contratos de fornecimento desses remédios para o Ministério da Saúde, utilizando-se de facilidades no governo.
O mistério das 18 visitas ao Palácio do Planalto
Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) ampliaram a pressão política sobre a família presidencial ao revelar que Lulinha entrou pelo menos 18 vezes no Palácio do Planalto entre 2023 e 2025.
- Tempo de permanência: As visitas do empresário somam mais de 23 horas dentro do prédio do Executivo.
- Contatos de alto escalão: Os registros da PF apontam que os encontros coincidem com agendas com Marco Aurélio Santana Ribeiro (o Marcola), então chefe de gabinete da Presidência, e com Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.
- Lobby sob suspeita: Relatórios policiais sugerem que Roberta Luchsinger, que esteve 8 vezes no Planalto e fez 32 visitas a ministérios, tinha “autorização” informal para falar e negociar em nome do filho do presidente.
Ambiência eleitoral e a narrativa da oposição
A divulgação em massa desses dados serve como a principal munição para a oposição, que intensificou os ataques à imagem da gestão atual. Vídeos compartilhados nas plataformas digitais correlacionam o cerco judicial da Polícia Federal a um “sinal claro de derrota inevitável” do PT nas urnas. Críticos afirmam que os supostos favorecimentos em contratos federais mostram que o discurso ético do governo faliu, elevando o tom por punições severas.
O posicionamento das defesas e do governo
Apesar do teor das mensagens e dos relatórios, o caso segue em fase de apuração técnica e os citados rebatem as acusações:
- Defesa de Lulinha: O advogado Marco Aurélio de Carvalho alega que as idas de seu cliente ao Planalto foram de caráter estritamente familiar ou privado. Ele nega qualquer ato de tráfico de influência e afirma que a investigação é uma “pescaria probatória” com fins purimentes eleitorais.
- Secretaria de Comunicação (Secom): Confirmou o teor estritamente privado das visitas de Lulinha ao pai e reiterou que as idas não tiveram qualquer interferência ou impacto em decisões da administração pública.
- Ministério da Saúde: Informou que o SUS não adquire nem distribui produtos à base de canabidiol, de modo que nenhuma das propostas discutidas pelo grupo de lobistas chegou a avançar ou gerar repasses de dinheiro público.
- Procuradoria-Geral da República (PGR): Emitiu um parecer solicitando que o ministro André Mendonça envie o inquérito de Lulinha para a primeira instância da Justiça Federal, argumentando que o filho do presidente e os demais envolvidos não possuem foro por prerrogativa de função (foro privilegiado).
