A escalada na disputa jurídica e política envolvendo membros do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo com a decisão do ministro Alexandre de Moraes de deflagrar uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão. A ação, realizada pela Polícia Federal com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR), mirou o ex-oficial por ele ter sido identificado como a suposta fonte de vazamentos para o jornalista Luís Pablo.
Desdobramento de dados obtidos em celular de jornalista
A nova ofensiva é fruto direto de dados extraídos de dispositivos eletrônicos. Em março, o próprio jornalista Luís Pablo havia sido alvo de uma operação semelhante autorizada por Alexandre de Moraes. A quebra do sigilo dos aparelhos do comunicador permitiu que peritos identificassem Cutrim como o fornecedor das informações.
Diferente do que foca a denúncia inicial das reportagens — o suposto uso indevido de carros oficiais por parentes do ministro Flávio Dino em São Luís —, a investigação da PF foca no seguinte:
- Acesso não autorizado a sistemas: Suspeita-se que Cutrim utilizou as prerrogativas de seu antigo cargo público para extrair dados protegidos de sistemas governamentais.
- Monitoramento e perseguição: O STF investiga se as fotos, placas e rotas publicadas configuraram práticas de vigilância ilegal, enquadradas no crime de stalking contra o ministro da Corte.
- Movimentações financeiras: A investigação também apontou suspeitas sobre uma transferência de R$ 100 mil envolvendo o jornalista, levantando questionamentos sobre a legitimidade meramente informativa das publicações. Ambos negam irregularidades monetárias.
Questionamentos à imprensa e debate sobre sigilo de fonte
A operação gerou fortes reações no ambiente político e reacendeu o debate sobre as garantias constitucionais no Brasil. Parlamentares da oposição criticaram duramente a investida judicial. O deputado federal Nikolas Ferreira publicou manifestações questionando o posicionamento dos grandes veículos de comunicação tradicionais perante o caso. Ferreira cobrou uma reação mais incisiva da classe jornalística, classificando a quebra e perseguição da fonte como um “ataque frontal” ao exercício da profissão.
A defesa de Raimundo Cutrim, conduzida pelo advogado José Berilo de Freitas Leite, afirmou receber a determinação com profunda “estranheza e preocupação”. Em nota, os advogados criticaram o fato de que a engrenagem do Judiciário e da Polícia Federal se mobilizou rapidamente para investigar o jornalista, seu advogado e a fonte, enquanto o cerne das denúncias trazidas a público — o suposto uso irregular de veículos pagos com recursos públicos — segue sem ser oficialmente apurado.
Em contrapartida, a assessoria de Flávio Dino reitera que nunca houve uso irregular de automóveis e que o veículo blindado citado faz parte de um protocolo padrão de segurança formalizado pelo STF devido a constantes ameaças sofridas pelo magistrado.
