Uma investigação estadual de licenciamento resultou na descoberta estarrecedora de pelo menos 57 corpos em adiantado estado de decomposição armazenados de forma totalmente inadequada em uma funerária de Chicago. O caso gerou revolta e desespero em dezenas de famílias que aguardavam a destinação final de seus entes queridos.
O flagrante ocorreu na South Chicago Chapel, localizada no bairro de South Deering, na zona sul da cidade.
Cenário de horror e infestação
Segundo relatos oficiais divulgados pelo Departamento de Regulação Financeira e Profissional de Illinois (IDFPR), os corpos foram encontrados amontoados em armários e na garagem do estabelecimento. A controladora do estado de Illinois, Susana Mendoza, classificou a situação como uma “abominação de cortar o coração”.
Entre as irregularidades mais graves listadas pelas autoridades de saúde pública estão:
- Ausência de refrigeração: Dezenas de cadáveres mantidos em temperatura ambiente.
- Empilhamento de corpos: Restos mortais colocados uns sobre os outros e parcialmente expostos.
- Condições insalubres: Presença massiva de larvas e forte infestação de roedores no local.
Vizinhos da propriedade relataram à imprensa local que o mau cheiro na região vinha chamando a atenção há cerca de dois meses, com nuvens de moscas se espalhando pela vizinhança. Mesmo diante dessas condições, a funerária continuou realizando cerimônias e velórios até a semana do flagrante.
Histórico de crimes e reincidência
A funerária era administrada pelo casal Johanna Morgan (diretora funerária registrada) e Clark Morgan. Ambos já eram velhos conhecidos do sistema de fiscalização do estado devido a práticas absurdas no passado.
Clark Morgan teve sua licença de estagiário de embalsamador revogada de forma permanente após o fechamento compulsório da Heights Crematory, em Chicago Heights. Naquela ocasião, as autoridades descobriram que o casal armazenava cerca de 100 corpos em contêineres e trailers, além de reter centenas de cinzas que nunca foram devolvidas aos familiares.
Na última quarta-feira, o estado suspendeu preventivamente a licença de Johanna Morgan. O órgão regulador determinou que a continuidade das operações da profissional representava um “perigo imediato para a segurança, interesse e bem-estar público”.
Identificação demorada e angústia das famílias
O Escritório do Legista do Condado de Cook enviou patologistas forenses para iniciar o resgate e triagem dos corpos. O órgão alertou que o processo de identificação formal, cruzamento de certificados de óbito e checagem de documentação deve levar vários dias até que os corpos possam receber a destinação digna correta.
Diversas famílias compareceram à porta da funerária em busca de respostas. Uma moradora relatou à emissora CBS Chicago o medo de que as cinzas recebidas recentemente por sua família não pertençam, na verdade, à sua irmã falecida. Outra cliente relatou que o cortejo fúnebre de seu marido foi cancelado abruptamente porque os funcionários da South Chicago Chapel simplesmente deixaram de atender as ligações e não apareceram com o corpo na igreja.
A polícia de Chicago abriu um inquérito criminal detalhado para apurar as responsabilidades pelo crime de violação e negligência de restos mortais.
