Operação Make Up: Documento apreendido revela que investigada foi avisada e pressionada a delatar Flávio Bolsonaro

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A Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, tomou um rumo inesperado e altamente sensível para o próprio Judiciário. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na residência de Karina Ferreira da Gama — dona da produtora Go Up Entertainment e responsável pelo filme “Dark Horse” —, os agentes federais apreenderam uma declaração juramentada de quatro páginas registrada em cartório. No texto, a empresária relata uma série de abordagens de bastidores para que ela fizesse uma delação premiada mirando o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O documento joga luz sobre uma cronologia intrigante de eventos que sugere que os alvos da operação, mantida sob estrito sigilo pelo STF, já eram de conhecimento de terceiros muito antes de a polícia bater à porta.

A Cronologia da Pressão: “Delate ou seja alvo”

No relato registrado por escrito antes de ser alvo das buscas, Karina Gama detalhou três abordagens específicas feitas por interlocutores que supostamente possuíam informações privilegiadas sobre os rumos da investigação no STF:

  • Maio de 2026: O empresário Fernando Sarney a teria procurado oferecendo suporte jurídico e alegando possuir “grande proximidade” com o ministro Flávio Dino. Karina ressalva no texto que não tem elementos para dizer se Dino sabia do contato. Sarney nega taxativamente conhecer a produtora ou ter feito qualquer abordagem.
  • 27 de Agosto de 2026: Um pastor evangélico com trânsito no governo federal e no STF teria transmitido um recado direto: se ela aceitasse fazer a delação premiada, “nada ocorreria” e ela não seria alvo de nenhuma operação policial. Paralelamente, um jornalista também teria sugerido que a falta de colaboração resultaria em duras medidas judiciais.
  • 03 de Setembro de 2026: Poucos dias após Karina recusar as investidas para delatar, o ministro Flávio Dino assinou secretamente a decisão que autorizava as buscas e apreensões contra ela, determinando que o sigilo só caísse após o cumprimento.
  • 10 de Setembro de 2026: A Polícia Federal executa os mandados da Operação Make Up.
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Perguntas sem Resposta no STF e na PF

O desfecho da operação coincide milimetricamente com a previsão repassada à investigada no dia 27 de agosto, gerando um forte mal-estar institucional. A defesa de Karina Gama pontuou no documento o temor de sofrer uma ação policial a título de “retaliação política” por se recusar a cooperar nos moldes sugeridos.

A revelação do documento joga pressão sobre o STF e a Polícia Federal, que agora enfrentam questionamentos cruciais sobre a segurança jurídica de suas investigações:

  • Quem tinha acesso prévio ao teor de uma decisão que só viria a ser assinada formalmente por Flávio Dino no início de setembro?
  • Quem utilizou a iminência de uma operação sigilosa como ferramenta de coerção política contra uma investigada?

A Operação Make Up originalmente mira supostos desvios de R$ 2 milhões em emendas parlamentares que teriam abastecido a produção da cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, envolvendo também o deputado federal Mário Frias (PL-SP). Contudo, a apreensão da carta juramentada desloca parte do foco técnico do caso para uma grave suspeita de vazamento e uso político do aparato judicial.

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